quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Sempre tive uma extrema inabilidade para aceitar de ânimo leve o que me era dito como verdade absoluta e por isso sempre questionei tudo. Essa minha forma de ser sempre foi entendida não como uma rebeldia saudável , apanágio de alguém curioso e ávido de respostas, mas sim como teimosia e quiçá falta de educação!
Diziam-me sistematicamente e em tom depreciativo -és um espírito de contradição ainda que eu argumentasse de forma estruturada e educadamente.
Suscitava , por isso, ralhetes,ou castigos físicos quando era pequena e distanciamento  e reprovação quando cresci e me tornei adulta.
Claro que a minha autoconfiança foi abalada, mas em contrapartida cultivei a capacidade de observação. e  sobretudo  maturidade para ser dona das minhas ideias  e afastar-me de tudo o que seja estereotipado. Que me importa  que se virem todos para um lado se no meu entender o lado contrário é mais interessante para mim?
Não vivo a vida de ninguém vivo a minha…mal ou bem eu é que tenho de vivê-la.
Cresci em idade mas viajam em mim resquícios da criança que sempre fui e faço questão absoluta de continuar a ser.
Os comentários depreciativos têm para mim a consistência de bolinhas de sabão e aguçam o meu sarcasmo a quem dou asas para voar. Não tenho sentimentos aprisionados, todos pululam em mim, têm vida própria.
E ainda que a boa sorte raramente venha ao meu encontro, tenho dentro de mim uma multiplicidade de cores a que recorro para pintar a minha vida…e é por isso que o azul dos meus olhos não se esvai e o sorriso continua a trilhar os caminhos do meu rosto.


Carmo Bernardo

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