quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Gosto de conversar.Por vezes desperdiçar frases em conversas mais informais, entre risos e provocações e outras vezes gosto de debater assuntos controversos , manifestar as minhas opiniões que raramente se enquadram nos padrões ditos normais.Não o faço pelo simples facto de querer chocar, nada disso, mas sim porque são fruto das observações e consequentes ilações.
Ao longo dos anos tenho adquirido alguma bagagem é certo, mas a minha grande dificuldade é sem dúvida aprender a usar as asas que construí. Já tentei voar algumas vezes mas  não consigo levantar voo. E faço uma busca incessante na minha bagagem e não encontro manual de instrução.
Adiante. Gosto de conversar.
Ontem  ao final da tarde e com um frio que paralisava os membros lá estava eu numa esplanada a beber café com um amigo, o Luis,A nossa conversa caminhou a passos lagos para a esfera da (in)justiça.A Luis considera a profissão de juiz muito complicada pelo facto de ser difícil julgar alguém, sobretudo porque  têm que obedecer a determinados critérios , a provas apresentadas (...)Não discordo na íntegra é certo, mas então como se explica que pelo mesmo crime, dois juízes possam aplicar penas distintas?E porque é que é possível aplicar penas pesadas a um ladrão e a um pedófilo penas leves?
A pedofilia, na minha opinião é um dos actos mais bárbaros, mais castradores da dignidade humana.Não sou a favor da pena de morte, para mim, não se justifica que alguém com a capa de justiça nas costas tenha sequer o direito sobre a vida de alguém, de optar se a pessoa vive ou morre.
Mas sou apologista dos tratamentos clínicos  se isso se justificar e consequentemente de trabalhos forçados!!!!
Valer-se da força e atentar sobre crianças indefesas para satisfazer necessidades animalescas é profundamente redutor para as vítimas.Ficam com a alma atrofiada , desmembram-se os sonhos e as vontades As crianças são selvaticamente atiradas ao lodo, afogam-se as alegrias e a fé nos homens!
Não sou fundamentalista, para mim, não existe um vértice, existem muitas linhas ondulantes, que ora se cruzam ora se afastam para prosseguirem caminho.
E não obstante o facto das conversas amiudadas vezes não conduzirem a lado algum,o simples facto de dissertar e poder libertar o que nos vai na alma com gente interessante, é só por si motivo suficiente para aguentar um frio descomunal, numa esplanada deserta.



Carmo Bernardo

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