quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Sem título

Normalmente não vejo muito programas televisivos a não ser que me queira alienar. Mas hoje estou de folga e foi precisamente isso que aconteceu. Liguei a televisão e estava a dar o programa conduzido pelo Luís Goucha, cuja “personalidade” a ser entrevistada era uma tal de Cátia, que entrou num programa chamado casa dos segredos. Ora o que fez esta brilhante pensadora? Segundo as revistas de “cultura geral”mais consumidas pelo povo, esta criatura que dois amantes fervorosos num momento de inspiração divina colocaram no mundo, utilizou os recantos obscuros dos cobertores para abocanhar o membro viril a outros dois “pensadores”que com ela privavam na tal dita casa. E com tais nobres gestos, indiciadores de mentes brilhantes, eis que é catapultada para a esfera dos “famosos”, dando entrevistas e fazendo presenças em discotecas, acarinhada e admirada por este séquito de cérebros vazios que constituem o povo, na generalidade. Na plateia as pessoas maioritariamente idosas rejubilavam com a “graciosidade” desta rapariga e riam-se com as barbaridades por ela proferidas. O apresentador fazia-lhe perguntas supostamente de cultura geral e a rapariguinha na sua infinita “espontaneidade” (termo utilizado pelo locutor para definir esta pessoa e que na minha opinião não passa de uma pessoa  que carrega algures no cérebro uma bacia de miséria cultural )lá ia levando a assistência ,ávida de conhecimento ,ao rubro. Obviamente que nada tenho contra a rapariga, igual a tanta e tanta gente que por aí anda, mas sinceramente o que me constrange é este aproveitamento sistematizado de pessoas assim, para cativar audiências. Bem sei que a saciedade da generalidade das pessoas é satisfeita por estes “momentos apoteóticos”, afinal um parvo arranja sempre alguém ainda mais parvo que ele  para que o possa admirar….mas….constrange-me na mesma. Não sou pretensiosa e normalmente aceito tudo ou quase tudo que fuja ao meu entendimento…mas confesso que tenho alguma dificuldade em gerir toda esta parafernália de incongruências. Ainda bem que quando inventaram a televisão pensaram num botãozinho para que pudesse ser desligada, porque muitas vezes incluindo hoje lá teria que partir para a violência pegando numa cadeira para a desfazer em fanicos….
Carmo Bernardo

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