Os Fecalóides
Ei-los….de braço dado, aprofundam a cumplicidade e passeiam-se por todo o lado, deixando para trás um fedor penetrante que me deixa nauseabunda.
Cambaleio por momentos …inspiro doses industriais de riso e deleito-me com o efeito.
Pobres alminhas ,atarantadas pela convicção intrínseca das suas potencialidades.
Roçam os muros da miserabilidade com os olhos tumefactos de insídia.
Ei-los…num pedestal de sangue, construído com as desgraças alheias,a regurgitar inapropriadas considerações sobre a vida.
Olham com desdém para os menos afortunados, e guturalmente lançam risos asquerosos no intuito de aniquilar-lhes a vontade.
Alimentam-se de matéria pútrida, tão generosamente doada por seres destituídos de carácter e crescem desmesuradamente em poder e estatuto.
Ei-los…sebosos e cheios de gordura amoral!
Mas quem são eles afinal?
São os que se vestem de hipocrisia para frequentar jantares de galas beneficentes, que toldam o cérebro dos mais incautos com falácias servidas com um copo de vinho, que falam da pobreza com virtuosismos desmiolados ;os que dançam sobre os corpos mutilados dos desgraçados sem futuro que deambulam sem destino por todos os cantos da vida.
São as bestas que desgarradamente atropelam sem dó as fragilidades de quem não consegue emergir neste mar de trampa.
E enquanto estes desnaturados estiverem no pedestal a uivar ao céu as suas flatulências mentais, jamais teremos equidade.
Carmo Bernardo
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
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