Nunca fui boa gestora de emoções.
Tarda-me a tolerância.
Descamo mentalmente todas as camadas que emergem da generalidade dos seres que se cruzam comigo , não consigo ver o todo.
Ou não quero, talvez.
Procuro alguma coerência entre o que sinto e penso com a forma como lido com os outros.
Palavras bonitas? Sei-as todas, na pontada língua. Poderia estar xiliões de anos a conceber verborreia….mas não pretendo tal façanha.Cedo de bom grado essa incumbência aos falaciosos demagogos que proliferam por aí como protozoários.
Apenas me quero deleitar a entrar pelas portas que me convidam, pelas janelas que se escancaram á minha passagem...
Nem sempre sou eu que estou presente,muitas vezes sou representada pelo sorriso fácil, pelos maneirismos quase exacerbados de uma alma prenha de identidade.
Mas também me perco muitas vezes em olhares vagos e pensamentos escusos.
A definição não é de todo uma amiga íntima em quem confie, prefiro uma certa aura de insusceptibilidade, um toque de regarde comme il est, mais il n'est pas!
Já vivi muitos sóis, escondida na minha concha protectora, onde podia ocultar os meus medos e disfarçar a inoperância das minhas defesas. Ali observei o mundo de soslaio, enquanto a vida galopava, qual quadrúpede equídeo transviado num campo de mimosas sedentas de vida.
Mas também por isso, por estar ausente do mundo, abracei o meu pensamento e incrementei-o de forma minuciosa para que estivesse eu onde estivesse nunca me sentir só, se bem que unicidade é quase sempre um lenitivo, sobretudo na adversidade da inquietude, das interrogações persistentes e com história.
Gosto de pessoas. Autênticas, imbuídas de generosidade sem interesse, cujo bem estar dos outros é mais importante do que o seu próprio bem estar ao contribuir para o bem estar dos outros….confuso?talvez! Ou talvez não…pelo menos para mim não é e isso é o mais importante…encontrar equilíbrio na confusão de forma a que esta se torne uma dádiva e não um carrasco munido de atrocidades.
E continuo a dizer o mesmo, não pactuo com mediocridade, não navego no mesmo mar das constantes tempestades de miserabilidade humana em que gente desgarrada não consegue observar com os olhos do coração.
E jamais aprenderei coisa alguma, de quem me pretenda dogmatizar. Sou um pássaro livre, com muitos céus ao meu dispor e voarei sempre que me apetecer e da forma que eu escolher para o céu que me oferecer mais cor e mais colo.
Carmo Bernardo

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