Miscelânia
Na maior parte das vezes, sinto-me uma pessoa forte , alheia aos zumbidos ensurdecedores emitidos por pessoas visceralmente dilapidantes, mas ultimamente sinto um cansaço castrador, uma apatia generalizada ao que me rodeia e vivo momentos prenhes de ambiguidade.Ora me apetece soltar um grito que rasgue literalmente conceitos pré estabelecidos, temas socialmente aceites por esta chusma de gente sem alma , ora me apetece adormecer o cérebro e deixá-lo fenecer por ausência de actividade!
Ás vezes não suporto tanta pestilência verbal, servida em doses industrias, implementada através da impertinência e ausência de caracter!
Tenho 46 anos:de sonhos dissipados gradualmente, de sorrisos que já escasseiam e os meus lindos olhos azuis já não cintilam da mesma forma e por isso os meus dias e as minhas noites estão a ficar gradualmente mais escuros.
Empatizo com pessoas criativas, com capacidade de sonhar e que fazem da palavra o seu instrumento de vida:mas sobretudo sinto uma afinidade descomunal por pessoas íntegras, justas que observam com os olhos da alma .
Sinto um desconforto desmesuravel, quase a roçar a aversão ante a presença de pessoas invejosas, que pensam ser superiores aos outros!Mas superiores em que sentido??!!!Na inabilidade?
Faz parte da natureza humana cometer erros, regredir nas opiniões mais imediatas, mas apenas uma ínfima percentagem tem a hombridade de abdicar do orgulho e permitir-se reconhecer os erros.
Deparo-me continuamente com situações de pura crueldade, face a uma faixa etária desprotegiada , abandonada à sorte por quem devia ser cuidador.
Pessoas que vivem alheadas da realidade, esgotadas pelos gritos, , pelo abandono, pela pouca sorte de um dia terem envelhecido tendo apenas por companhia a solidão imposta.
São pessoa inóquas, carentes de afectos e palavras.
Vivem em sobressalto constante, desnutridas de humanidade e escondem as lágrimas juntamente com as memórias de tempos longíquos, onde já foram crianças um dia!!
Não sendo religiosa, acredito em Deus!Um Deus com quem desabafo, partilho as raivas, os medos e também alegrias, um Deus colorido e justo.Sempre o questionei, tantas vezes lhe manifestei a minha revolta eventualmente culpei-o pela minha pouca sorte, cheguei a insultá-lo.Não ollho para o céu para ver Deus...olho para as aves que rasgam o céu, para o barulho do mar a lamber a areia da praia, olho para as cascatas que se atiram sem medo para a planície verdejante, olho para as criancinhas curiosas e atentas, ainda sem maldade, olho para o pôr do sol, o nascer do sol, a chuva a pingar de encontro aos beirais (...)Para mim tudo isso é Deus!
É energia.
A minha alma não não se concentra só num ponto.Dispersa-se de forma sistemática em diversas direcções e não concebo a ideia de ser de outra forma.
E é por isso que me delicio com estranhas formas de ser.
Não entranho de forma alguma a estaticidade, jamais permitirei que me invada, a não ser que se alie ao alzheimer e me vençam a vontade.
Estamos todos, impreterivelmente, condenados a seguir o trotar do tempo, metódico e irreversível e se por vezes essa constatação engrandece o meu espírito, outras vezes tolda-me os pensamentos e a tristeza aloja-se deixando um cheiro fétido a derrota.
E é também por isto que preciso de escrever....para sentir que ainda há resquícios de esperança no futuro, no meu futuro.
Carmo Bernardo
Ás vezes não suporto tanta pestilência verbal, servida em doses industrias, implementada através da impertinência e ausência de caracter!
Tenho 46 anos:de sonhos dissipados gradualmente, de sorrisos que já escasseiam e os meus lindos olhos azuis já não cintilam da mesma forma e por isso os meus dias e as minhas noites estão a ficar gradualmente mais escuros.
Empatizo com pessoas criativas, com capacidade de sonhar e que fazem da palavra o seu instrumento de vida:mas sobretudo sinto uma afinidade descomunal por pessoas íntegras, justas que observam com os olhos da alma .
Sinto um desconforto desmesuravel, quase a roçar a aversão ante a presença de pessoas invejosas, que pensam ser superiores aos outros!Mas superiores em que sentido??!!!Na inabilidade?
Faz parte da natureza humana cometer erros, regredir nas opiniões mais imediatas, mas apenas uma ínfima percentagem tem a hombridade de abdicar do orgulho e permitir-se reconhecer os erros.
Deparo-me continuamente com situações de pura crueldade, face a uma faixa etária desprotegiada , abandonada à sorte por quem devia ser cuidador.
Pessoas que vivem alheadas da realidade, esgotadas pelos gritos, , pelo abandono, pela pouca sorte de um dia terem envelhecido tendo apenas por companhia a solidão imposta.
São pessoa inóquas, carentes de afectos e palavras.
Vivem em sobressalto constante, desnutridas de humanidade e escondem as lágrimas juntamente com as memórias de tempos longíquos, onde já foram crianças um dia!!
Não sendo religiosa, acredito em Deus!Um Deus com quem desabafo, partilho as raivas, os medos e também alegrias, um Deus colorido e justo.Sempre o questionei, tantas vezes lhe manifestei a minha revolta eventualmente culpei-o pela minha pouca sorte, cheguei a insultá-lo.Não ollho para o céu para ver Deus...olho para as aves que rasgam o céu, para o barulho do mar a lamber a areia da praia, olho para as cascatas que se atiram sem medo para a planície verdejante, olho para as criancinhas curiosas e atentas, ainda sem maldade, olho para o pôr do sol, o nascer do sol, a chuva a pingar de encontro aos beirais (...)Para mim tudo isso é Deus!
É energia.
A minha alma não não se concentra só num ponto.Dispersa-se de forma sistemática em diversas direcções e não concebo a ideia de ser de outra forma.
E é por isso que me delicio com estranhas formas de ser.
Não entranho de forma alguma a estaticidade, jamais permitirei que me invada, a não ser que se alie ao alzheimer e me vençam a vontade.
Estamos todos, impreterivelmente, condenados a seguir o trotar do tempo, metódico e irreversível e se por vezes essa constatação engrandece o meu espírito, outras vezes tolda-me os pensamentos e a tristeza aloja-se deixando um cheiro fétido a derrota.
E é também por isto que preciso de escrever....para sentir que ainda há resquícios de esperança no futuro, no meu futuro.
Carmo Bernardo

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