quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Brado…..de mim, para mim




Por vezes sofro de incontinência verborreica….uma necessidade compulsiva de falar, sem dizer rigorosamente nada.Interpreto isso como uma catarse ,um esvaziamento desesperado de quantidades inúteis de frases dispersas e ideias inconsistentes.
O meu filtro mental funciona de forma muito célere e nem sempre objectivamente e é por isso que de quando em vez tenho ideias recorrentes.
De qualquer forma entendo este processo como catalisador , aceito todos os mecanismos inerentes e tento não sofrer com as constantes mudanças que se operam em mim…
Não obstante o facto de execrar vulgaridade,por vezes sinto uma certa necessidade de beber um ou dois goles desse líquido estéril, o que constitui um dos imensos paradoxos desta minha alma imperfeita.
A minha mente percorre impreterivelmente caminhos escusos, rodeia-se de penumbra e no entanto anseia avidamente a luz que só o amor pode conceder.
Não me explico, não me sei, não me sinto.
Agarro a poesia que ainda cresce em mim e pincelo o meu peito toscamente, enquanto lambo sofregamente as gotas de azul que escorrem dos meus dedos.
Não me apetece ser crescida, lidar com situações de lamentável conteúdo e não ter as armas necessárias para enfrentar esta chusma de gente estupidificada que cresce em todo o lado, como cogumelos….
No entanto caminho apressadamente como se a minha salvação estivesse ao virar da esquina…e raramente me apercebo de que não estou sozinha nesta demanda.
Há sempre alguém que me acompanha e que me oferece o ombro,
quando o cansaço se apodera de mim…..

Carmo Bernardo

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