Brado…..de mim, para mim
Por vezes sofro de incontinência verborreica….uma necessidade compulsiva de falar, sem dizer rigorosamente nada.Interpreto isso como uma catarse ,um esvaziamento desesperado de quantidades inúteis de frases dispersas e ideias inconsistentes.
O meu filtro mental funciona de forma muito célere e nem sempre objectivamente e é por isso que de quando em vez tenho ideias recorrentes.
De qualquer forma entendo este processo como catalisador , aceito todos os mecanismos inerentes e tento não sofrer com as constantes mudanças que se operam em mim…
Não obstante o facto de execrar vulgaridade,por vezes sinto uma certa necessidade de beber um ou dois goles desse líquido estéril, o que constitui um dos imensos paradoxos desta minha alma imperfeita.
A minha mente percorre impreterivelmente caminhos escusos, rodeia-se de penumbra e no entanto anseia avidamente a luz que só o amor pode conceder.
Não me explico, não me sei, não me sinto.
Agarro a poesia que ainda cresce em mim e pincelo o meu peito toscamente, enquanto lambo sofregamente as gotas de azul que escorrem dos meus dedos.
Não me apetece ser crescida, lidar com situações de lamentável conteúdo e não ter as armas necessárias para enfrentar esta chusma de gente estupidificada que cresce em todo o lado, como cogumelos….
No entanto caminho apressadamente como se a minha salvação estivesse ao virar da esquina…e raramente me apercebo de que não estou sozinha nesta demanda.
Há sempre alguém que me acompanha e que me oferece o ombro,
quando o cansaço se apodera de mim…..
Carmo Bernardo

Nenhum comentário:
Postar um comentário