quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Apêndice secundário

Não contesto a necessidade das pessoas opinarem sobre todas as coisas….é um direito inegável que caracteriza os fundamentos basilares da liberdade de expressão. Todos nós sentimos necessidade de exprimir o que nos vai na alma, sob pena de asfixia cerebral.
Mas existem determinados factores que podem ou não contribuir eficazmente para a credibilidade das opiniões manifestadas. Quanto a mim, é fundamental haver sempre e atempadamente uma reflexão sobre aquilo que se diz, sobretudo se visamos chocar alguém….Tudo pode ser dito, desde que minimamente fundamentado e sem o intuito de ofender de forma gratuita. Neste período conturbado em que vivemos, ofender gratuitamente é aceitável pela grande maioria dos quadrúpedes que cavalgam pelas ruas num galope desenfreado pelo protagonismo.
Pessoas de todos os quadrantes vestem a roupagem da dissimulação, emprestam á voz sussurros viperinos para cativar as massas, afogadas em  gordura cerebral e desta forma arrancar-lhes um voto que lhes permita ascender a um cargo público. de repente como num passe de mágica tornam-se bons samaritanos imbuídos de boas intenções. Prometem mundos e fundos, visam sobretudo os mais desfavorecidos ,enchendo-lhes as entranhas com promessas de uma vida mais digna e justa. Vociferam impropérios linguísticos todos eles enfeitados com secreções sebentas oriundas dos resquícios da alma mais obscuros, mas ninguém se apercebe, Afinal muitas pessoas nem sequer se dão ao trabalho de pensar…e muitas não sabem fazê-lo. Pensar dá trabalho, requer uma entrega total, princípios morais para se fazer uma avaliação justa dos acontecimentos e capacidade de aceitar opiniões divergentes, desde que fundamentadas. È  apanágio de pessoas sensíveis, que muitas das vezes preferem escutar em detrimento da necessidade quase compulsiva e doentia em  impor as suas convicções com arrogância e despudor completo pelo pensamento alheio. Acredito que existem mentes privilegiadas pela sensibilidade, cujo único objectivo na política é defender os desvalidos. Gente abnegada, cujos  projectos  visam minorar as mazelas físicas e consequentemente mentais daqueles cuja sorte andou sempre em parte incerta. Acredito veemente que a política pode ser bem administrada, por pessoas com coração nobre, que ocultam a sua vaidade pessoal em detrimento das necessidades efectivas de quem padece por todo este Portugal lindíssimo que ainda me faz sorrir. Não há problema nenhum, na minha opinião em sentir vaidade por um trabalho bem conseguido. Mas é algo que devemos guardar num cantinho da nossa alma e partilhar apenas com os que nos amam incondicionalmente, sob pena de suscitar invejinhas mesquinhas.
Quando olho de forma atenta para as promessas de alguns pseudo políticos,de olhinhos brilhantes e destituídos de alma, sinto um vómito imenso que não consigo nem quero controlar. Algumas dessas pessoas conheço-as pessoalmente e sei que não primam pela integridade. Apesar disso captam sorridos e anuições dos mais incautos, ou daqueles que querem com eles apanhar o comboio para o paraíso do facilitismo e da mentira dissimulada.
Abomino a mediocridade, mas reconheço, com muita tristeza, que é uma estrela em ascenção, que se alimenta de forma voraz com almas perversamente ambiciosas, de pessoas coniventes com a miserabilidade que vigora neste país que eu amo.
Hoje passei no meio de um pequeno aglomerado de pinheiros, numa zona residencial, que sempre sobressaiu pela imensa quantidade de ervas e lixo. Mas eis que a minha alma se iluminou ,este espaço outrora infestado de porcaria estava limpíssimo, quase imaculado!!!Eureka, não me digam que é por causa das eleições autárquicas….nop, não acredito nisso, nem sequer costuma ser prática comum…please….não subestimem as pessoas que ainda sabem pensar…é tortuoso.
Reitero o que disse algures neste texto. Ainda acredito na eficácia humana ,nos sonhos realizáveis e fecundos de alguns aspirantes a cargos políticos. Mas é absolutamente urgente e imperativo que os portugueses que exercem o seu direito de voto, tenham  o discernimento para avaliar aqueles que realmente se enquadram nesse perfil e que na minha singela opinião são tão poucos se  poderiam juntar num espaço exíguo e mesmo assim ainda continuaria a ser espaçoso.

Carmo Bernardo

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