Ás vezes apetecia-me escrever contos de amor, rebuscar palavras já tão utilizadas por diversos escritores e poetas.Contudo e porque o discernimento está tão intrinsecamente cravado no meu peito, só consigo escrever sobre aquilo que observo, a banalizaçao dos sentimentos.
Um destes dias vou alhear-me desmedidamente da realidade onde estou inserida , snifo uma dose brutal de sentimentos remissivos e escrevo uma arrebatadora história de amor com um final feliz.
Mas neste momento, escrever sobre amor não passaria de um sofisma, sinto alguma relutancia em acreditar em finais felizes.
Fico atordoada com a facilidade com que tantas pessoas "se amam" ,entrelaçam as suas almas de forma tão profunda que até chega a sangrar, ....desculpem mas é o que penso.De repente parece tudo tão lindo, os amigos aparecem, sabe-se lá de onde, as cores ficam mais definidas, todos parecem gostar de nós e nós dos outros, os passarinhos cantam e por aí adiante e depois de tudo, quando a escuridão invade os corpos cansados e as almas turvas de dúvidas, viramos a cara para o lado e não está lá ninguém, só rostos indefinidos, restos de atitudes.E as pessoas que realmente importam, estão drasticamente emolduradas numa cave bafienta, a sonhar com a luz do dia.
Carmo Bernardo
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
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