Por vezes tento vestir frases e pensamentos que nada têm a ver comigo, numa tentativa, quiçá de me enquadrar nos padrões instituídos da normalidade, para estar na mesma linha de pensamento das pessoas que me circundam…. Depois num acto de genuíno arrependimento, flagelo-me repetidamente até expurgar todos os sentimentos que essas tentativas provocam em mim. Mas eu nunca serei normal….pelo menos sei que a minha normalidade jamais será entendida como tal…se me importo? De todo. Cada vez tenho mais a certeza, que embora não esteja só, tenho um leque muito restrito de almas empáticas.
Quantas vezes já dei comigo a pactuar com risos e palavras, ainda que sem convicção mas apenas como resultado de ausência de mim mesma? Algumas e sempre com uma imperiosa necessidade de provocar o vómito, expelir de mim essa sensação corrosiva.
Tenho todos os sonhos do mundo e o mundo não me tem…
Fragmento-me ao longo do percurso, procurando atalhos escusos onde guardar os meus receios para que não me magoem e depois gradualmente tento reconstruir-me.
Mas inexoravelmente os receios vêm novamente ao meu encontro, aninham-se no meu peito, como lapas numa rocha perto do mar.
Procuro madrugadas felizes, daquelas que majestosamente inundam os corações de luz, mas a cada dia que passa torna-se uma missão impossível.
Sinto o pulsar da tristeza ,soturna criatura que investe em mim com rasgos de sadismo.
Invoco o meu direito à felicidade, mas a tristeza é surda…
Resta-me um baú imenso, que incólume guarda todas as recordações felizes.
Carmo Bernardo
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
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