quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pandy

Sempre gostei de animais, apesar de nem sempre este conceito ter sido levado à risca.Quando era criança cometi algumas barbaridades, por mera curiosidade, mas felizmente contrariei as opiniões dos doutos psicólogos e psiquiatras e não me tornei numa potencial "serial killer"!
Hoje quero falar da minha gata.
A minha gata é especial.Fui buscá-la a uma loja de animais.Estavam cinco  gatos numa gaiola de vidro, adormecidos pela indiferença e eu toquei levemente no vidro para lhes chamar a atenção.Olharam todos para mim, mas fecharam os olhos e continuaram a dormir.Todos não, houve um que veio para o pé do vidro e levantou o corpito pequeno e desnutrido e cumprimentou-me com as patinhas.Pensei logo"és tu que me vais fazer companhia e desgraçar os sofás"!E trouxe-o, aliás trouxe-a.Uma gatinha espectacular, brincalhona e esperta.Tem uma fixação por caixas e claro só se podia chamar pandora.É mesmo uma caixinha de surpresas.
Confesso que a sua energia por vezes me inquieta, quando quero estar sossegada no sofá e a bichana não pára, a desafiar-me constantemente para a brincadeira.
Mas enternece-me quando nos meus momentos de solidão e lágrimas salta para cima de mim e com o olhar fixo começa a fazer-me festinhas na cara com a pata felpuda e morna.Neste preciso momento,  a pandy, como é carinhosamente tratada, está aninhada no meu colo, quem sabe a sonhar com o dia em que foi resgatada da gaiola de vidro.Apetece-me pensar que sim.

Carmo Bernardo