quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Com papas e bolos...

Ostentam bucrânios pendurados ao pescoço e recorrem à jocosidade como arma de sedução.
A caterva rejubila, pactuante.
Estes polutos oradores de falácias construídas com muito engenho, esticam os pescoços gordos e luzidios, com protuberâncias purulentas a manchar a cor alva dos colarinhos , para darem mais enfâse ás suas intervenções.
No entusiasmo do momento disparam jactos de saliva quiçá para amaciar um pouco a voz. Ás vezes, retêm nos cantos da boca viscosidades amareladas, restinhos de dejectos verbais que persistem durante horas a fio.
É assim que vejo as nefandas criaturas que desfiam novelos intermináveis de desculpas, para justificar o estado deplorável em que o país se encontra, utilizando o tempo de antena , cedido pelas estações televisivas.
Não sou um ser privilegiado, não tenho o dom de perscrutar as suas almas, contudo canalizo a minha atenção para os pormenores, presto atenção ao olhar, aos trejeitos, consoante as perguntas que lhes são feitas. E rio, rio até cair para o lado, perante o descaramento destes trôpegos quadrúpedes, com responsabilidades políticas, sociais e muitas coisas mais.
Têm nos seus discursos pútridos, a presença de decretos, artigos e uma panaceia de idiossincrasias, que atiram em doses industriais para cima dos incautos sugadores de trampa alheia, devorada avidamente .
“Tão ladrão é o que vai á horta como o que fica à porta”. Verdade.
Os representantes políticos, assumiram a responsabilidade de envidar esforços no intuito de conduzir a vida de quem neles confiou, a bom porto, assegurando-lhes uma vida digna e justa.
Para o desempenho dessa função, são-lhe concedidos privilégios (na minha opinião não deviam tê-los) e ordenados chorudos.
Não concebo a ideia de vê-los com os rabinhos a dar a dar, como se fizessem parte de uma peça teatral de enredo pouco exigente.
Estes politicozitos de sorrisos plastificados, sejam de esquerda, de direita, de centro, independentemente da facção a que pertençam (para todos os efeitos não passam de um expectro)têm uma costelita teatral, preferem trocar agressões verbais, todas estilosas, com tiradas que fazem corar o ser mais burgesso de vergonha, para gáudio dos espectadores, autênticos helmintes.
Não primam pela competência? Então saem, demitidos ou demitindo-se, mas qual é a dúvida? E se entretanto cometerem ilegalidades, respondem por isso de acordo com a lei. Impunidade??Mas que merda é esta?
Onde se esconde essa dama, de nome Justiça? Essa dama de olhos vendados, de origem impoluta, que deixou de o ser, para ser filha da puta!!
Educação, pois claro, cada vez há um role mais extenso de mentecaptos, pessoal formatado a quem tiraram a alma e encheram o crânio de limalhas de ferro!
A saúde, pois… pois…então não? Decididamente não é para todos.
Segurança Social…
(…)
A sério que não sou pessimista…apenas desacreditei completamente nesta classe de homens que passeiam os seus rabos gordos e anafados pelos corredores, que dão entrevistas como se não fizessem parte do problema ,que utilizam os seus cargos para dar rosto às suas vaidades pessoais, que emolduram nas suas mentes pobres, que trocam mimos patéticos acompanhados de risinhos asquerosamente idiotas, que recorrem continuamente a subterfúgios, a mentiras escancaradamente proferidas, que andam em pezinhos de lã por cima dos destroços sociais em que enterram o país, levianamente e sem remorso(…)
E no meu imaginário, apenas no meu imaginário, agarro num lança chamas e reduzo toda uma gentalha sem escrúpulos a um desprezível acervo de pó!

Carmo Bernardo

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