Idiossincrasias
Na minha humilde opinião, o que importa efectivamente são as pessoas. Ao observar atentamente o que se passa á minha volta e sobretudo neste período conturbado ,sinto que a minha alma se contorce espasmodicamente de indignação,ao ouvir discursos inflamados de pessoas que quanto a mim não desperdiçam nem um segundo a pensar na melhoria das condições de vida dos portugueses.
No que concerne ao panorama político,algumas eruditas criaturas divertem-se como crianças traquinas, a detonar impropérios em cima dos adversários políticos .E o que é mais absurdo, dentro dos próprios partidos assiste-se a divergências infantilóides, motivadas pela ignorância e pelas invejinhas incrustadas no cérebro com tal intensidade que jamais lhes permitirão ver com clareza o que realmente é importante.
Povo?Mas qual povo e afinal o que é o povo para além da definição “dicionárica”?
Populaça, isso sim, pessoas que ocupam as trincheiras sobrelotadas da mediocridade, que dificilmente semeiam algo de construtivo porque não sabem como fazê-lo. Aceitam esparramar-se pelo chão á cata de migalhas deixadas deliberadamente ao abandono, por aqueles que no auge da sua esperteza saloia, continuam a subir os degraus da ambição desmesurada.
Tive desde sempre uma relação muito ambígua com a justiça. Acredito profundamente nela, mas creio que é extremamente vulnerável aos ventos contrários que sopram na sua direcção.
Não diria que é uma vendida porque nunca se assumiu ou assumirá sob risco de desaparecer definitivamente da face da terra, mas é permissiva com a urbe de abutres de hálito putrefacto que infestam o ar com as constantes investidas verbais.
Não há a presença da justiça em muitas das acções levadas a cabo em nome dos desvalidos. È inadmissível sob o ponto de vista humano e das emoções que se utilize a desgraça alheia para a obtenção de votos e consequente posto no poleiro ,no local mais ermo do galinheiro, para não ser inundado pelo odor execrável dos dejectos acumulados.
O povo é soberano? Não creio…
Sendo que não tenho qualquer tipo de responsabilidade política, legitimo todas as minhas opiniões, ainda que normalmente não as manifeste, ninguém tem interesse em conhecê-las a não ser eu. E considero que jamais teria apetência para estar á frente de que partido fosse, porque honestamente não teria jogo de cintura para lidar com alminhas destituídas de essência emocional. Seria incapaz de tolerar civicamente todos os que evidenciassem protuberâncias anómalas de adulação, todo aquele “pessoalzinho fixe” a fazer-me cócegas no cérebro com as suas anacrónicas verborreias…
O mais ridículo nos resultados eleitorais, é constatar que as pessoas na generalidade são avessas á mudança. Preferem continuar a beber sofregamente copos infindáveis de letargia em vez de recorrer aos neurónios ,que de tanto serem ignorados vão definhado irreversivelmente.
È sempre redutor tudo o que seja hermético, estanque.
Sugere obscuridade e exala um odor a bafio, inteiramente castrante sob o ponto de vista da iniciativa.….é assim que verifico a existência de determinadas ideologias e sobretudo dos seus representantes. E não entendo o seguimento cego e inquestionável dos discípulos destes representantes cuja sapiência se traduz numa avultada capacidade de chicotear vontades e encher o bandulho a esta gente impreparada para pensar.
Continuo a acreditar em gente boa ,que faz da sua vontade uma missão,não obstante os caminhos tortuosos que tem que percorrer….que ultrapassa obstáculos que para mim seriam incontornáveis, no que concerne á necessidade de lidar com gente acéfala mas que por “imperativos democráticos” tem a faca e o queijo na mão.
E pronto,lá vamos nós durante mais um longo período assistirá troca de galhardetes entre os vários partidos, a demonstrações verbais de completa ausência de discernimento, a promessas feitas de todos os quadrantes que sucumbirão extenuadas de tanto aguardar,ao enaltecimento de vaidadezinhas pessoais em detrimento do tanto que existe por fazer(…).
E no meu entender, que sou apenas uma simples observadora, desde sempre, desta (su)realidade na qual estou inserida, vai-se assistir cada vez mais á sobrevalorização daqueles que primam pela ausência de carácter, porque são esses que sub-repticiamente sabem como levar as hostes ao cadafalso, sob promessas de uma vida prenha de regalias sem fazer nada e ainda conseguem arrancar-lhes,sem dificuldade ,sorrisos de gratidão e votos de fidelidade eterna.
Carmo Bernardo

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