Javardice Moral
Rodeada de gente acéfala que prima pela cegueira consciente sinto-me fraquejar , perder os resquícios de esperança que povoam a minha alma.
Bocejo de tédio pelo contacto diário e impositivo com gentinha pequenina cujo cérebro, do tamanho de uma ervilha quase rebenta com tanta perfídia.
Já não posso ouvir as pessoas a queixarem-se da crise…sempre com aquele arzinho de quem percebe alguma coisa daquilo que está a dizer….por favor, poupem-me a boçalidades destas. E depois deglutem selvaticamente e com ar desconfiado grandes nacos de informação pútrida, recolhidos em programas bestializantes .
Há que renunciar á palermice vigente, ousar pensar mesmo que doa. Por vezes a dor é catalisadora, provoca a interrogação e eventual constatação e isso é bom para arranhar o espírito empedernido e catapultar as ideias para direções profícuas…Sei que sou complicada, a minha volubilidade é manifestamente indigesta para a generalidade das pessoas, mas sinceramente relego essas manifestações para uma dimensão sem tempo, quero lá saber de opiniões infundadas.
Sinto-me permanentemente ancorada num ponto de interrogação. Tudo para mim merece ser questionado não aceito de todo ideias adormecidas pela inércia e bebidas sofregamente por beberrões compulsivos.
Apesar de tudo, sou uma crente incorrigível, continuo a acreditar nas pessoas, a estupidez não é inobliterável.
As palavras surgem-me como cascatas de água, intrépidas e ávidas, mas tenho de sossegar este meu cérebro que se contorce com tantos pensamentos distintos, apaziguá-lo com uns breves momentos de reflexão e deitá-lo no arco íris que tem residência permanente nos interstícios do meu peito.
Carmo Bernardo
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
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