Não foi um fim de semana qualquer.
A viagem decorreu de forma descontraída, sempre a trotear musicas que se adaptavam a situação.A companhia também era excelente, afinal estava com a minha filha e mais uma vez iríamos partilhar momentos que perdurarão para a eternidade.
E estava também com o Miguel.
O facto de me afastar do local onde está a minha casa, injecta-me uma energia boa, recheada de luz e calor.Mal chegamos tivemos uma recepção à altura,os meus sobrinhos presentearam-nos com algumas surpresas, feitas por eles.Depois jantámos, num ambiente de alegria, com muita brincadeira, muito riso.Depois de alguns jogos de cartas, enquanto a lareira crepitava perto de nós, fomos todos para a cama.Dormir?Qual quê....mais brincadeiras divertidas que me limparam a alma de alguma toxidade que pudesse existir.
A manhã foi algo , como direi, barulhenta.
Os miúdos a reclamar brincadeira e os meus ossos ressentidos de uma noite onde o descanso esteve ausente.Tomamos o pequeno almoço e fomos beber café numa esplanada banhada pelo sol, tendo por pano de fundo o mar da Zambujeira, de um azul espectacular.
Deixamos o Miguel entregue à dura tarefa de providenciar o almoço, munido de três canas de pesca e sobretudo muita esperança.A pescaria não foi muito rentável, dois robalos fresquíssimos após uma série de horas entre o sol e os salpicos.Mas valeu a pena, mais que não fosse pela satisfação de o ver feliz.
Ao cair da tarde, eu , a Andreia, a Rita ,a Susana, o Roberto, o Miguel ,a Joana e o Lucas fomos conhecer uma zona de mato, local de habitação de javalis.Por sorte não encontramos nenhum, apenas ervas tombadas e excrementos.Depois de muito caminhar, encontramos um sítio lindíssimo, uma pedra imensa rodeada de água escura, cujos habitantes eram alguns insectos e cobras de água.E á nossa volta, rochas muitas rochas escarpadas e um silêncio redutor, característico de sítios privilegiados que só a natureza pode oferecer.
As crianças divertiam-se com aquela inocência e curiosidade apanágio da infância e eu, tenho que confessar, que continuo a ser criança e portanto divirto-me imenso com as coisas simples da vida.
Ainda exercitei os músculos a praticar um bocadinho de escalada e subi e desci aquelas rochas e senti-me livre.Livre de problemas e preocupações.
Mas a noite estava chegar e receámos um confronto com javalis, sendo que estava na hora deles deixarem os seus locais de descanso para ir à procura de comida e nós ainda tínhamos um longo caminho para percorrer até ao local onde tínhamos deixado os carros.Atolámos os pés algumas vezes, os caminhos estavam lamacentos, mas que importava isso?O passeio estava a ser divinal.
E lá estavam os carros , para nos oferecer segurança e calor, porque estávamos perfeitamente enregelados!
Enquanto o jantar estava a ser confeccionado houve um pequeno percalço doméstico, hihihihi.
A Andreia, com a sua queda natural para a cozinha, queimou o braço do Roberto com óleo quente.Felizmente não deixou marcas profundas porque não estava a ferver, mas foi o suficiente para a moça se sentir culpada pois devido à sua ( in)apetência para a árdua tarefa de cozinhar quase desfigurava o braço ao pobre rapaz!
Mas passado o susto, lá iniciamos mais um momento familiar digno de registo, o jantar, onde retemperámos as forças e permutamos conversa e gargalhada.
Mais uns jogos de cartas e mais uma noitada de brincadeira.
Mas tudo isto acabou.Hoje, segunda feira, é dia de trabalho para uns e de escola para outros.
Mas a distância física não é nem nunca pode ser argumento para a ausência de afectos e quando não é possível estarmos com quem nos quer bem,podemos sempre recorrer a momentos como estes para continuar a acreditar que é bom não estarmos sós.
Carmo Bernardo
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quarta-feira, 13 de junho de 2012
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