Sem título(não me apetece intitular)
Assisto impávida ao derrube dos bons princípios, ao desaparecimento dos sorrisos espontâneos.
Onde existia educação, restam apenas protuberâncias cheias de dejectos mentais, expostos ao ar livre, sob perigo de contaminar tudo à volta e nada voltar a ser como dantes.
Tempos houve em que acreditei nas pessoas, nos seus verdadeiros sentimentos e rectas manifestações de afecto, mas faço uma retrospectiva e creio muito sinceramente que não passou tudo de auto convencimento da minha parte, porque efectivamente, para mim, a maior parte das pessoas não passam de rostos macilentos, odorificamente podres.
Muitas vezes todo o meu discurso não passa de uma alegoria, sinto essa necessidade para entorpecer a alma e proporcionar-lhe algum bem estar sem recorrer a sedativos…Bem sei que a ética e blá blá me impedem de ser rude ao ponto de mandar alguém para “um sítio que deriva de duas palavras tão distintas mas que juntas originam uma bastante eloquente :cara +alho” mas digo-o tantas vezes de mim para mim e dá-me um prazer indescritível´.
Se fosse uma escritora conceituada, podia utilizar palavras obscenas, seria aceitável, perguntem lá ao Miguel Esteves Cardoso….afinal pode escrever um livro com o título “o amor é fodido” .Eu sou apenas a Carmo e se o fizesse catalogar-me-iam de ordinária, no mínimo, porque quando se trata de dizer mal não se olha a adjectivação.
Mas, vendo bem, acho que posso dizer asneiras sim, sobretudo quando são direccionadas a pessoas que grunhem em vez de falarem.
E comigo tudo é ao contrário….diz-se que o passar da idade traz-nos capacidade de tolerância, quietude , blá blá blá….. Comigo nada disso tem acontecido. Sinto sim, uma capacidade imensa para amar incondicionalmente as pessoas que o merecem, pela disponibilidade física e emocional, pessoas íntegras e autênticas. De resto, sinto uma repulsa visceral por gente mal formada.
Não tenho pretensões de ser madre teresa, apenas quero viver rodeada de gente boa. Não posso nem quero abraçar o mundo como se ele fosse prefeito, porque não é, de todo. Tenho tolerância zero para gente hipócrita, porque o meu caminho, traço-o eu, com as armas que tenho disponíveis , porque sou eu que o percorro, cambaleando aqui e ali, é certo, mas não deixa de ser o meu caminho.
Carmo Bernardo
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
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